Entenda porque é tão importante obter o diagnóstico precoce do câncer de mama – e também porque isso pode não ser uma tarefa tão simples

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2018, o número de casos de câncer de mama feminina chegou a 59.700.

Neste ano, os números não devem ser diferentes, já que a estimativa é de quase 60 mil novos casos.

Apesar dos avanços consideráveis com relação à abordagem terapêutica, a prevenção e o diagnóstico precoce ainda despontam como pontos cruciais para o sucesso dos tratamentos.

Entretanto, é justamente o diagnóstico precoce do câncer de mama que acaba sendo dificultado por desigualdades regionais e de escolaridade.

Só para se ter uma ideia, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013 revelou que 40% das mulheres entre 50 e 69 anos não fizeram mamografia nos dois anos anteriores à realização do levantamento.

Em linhas gerais, isso significa que duas em cada cinco mulheres nessa faixa de idade negligenciaram o exame, que é considerado essencial para detectar lesões benignas e cânceres.

Vale lembrar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que 70% da população na faixa etária entre 50 e 69 anos realizem a mamografia.

Outros dados da pesquisa que também são alarmantes mostram que o número de mulheres negras e pardas (45,8% e 47,1%, respectivamente) que não fizeram mamografia é maior do que o de brancas (33,8%).

No quesito escolaridade, entre as mulheres que não têm qualquer instrução ou possuem apenas ensino fundamental incompleto, 49,1% também negligenciaram o exame nos dois últimos anos anteriores à pesquisa.

Entre as mulheres que cursaram superior completo, o índice caiu para 19,1%.

diagnóstico precoce do câncer de mama

Relação cura X diagnóstico precoce do câncer de mama

Quando o diagnóstico precoce do câncer de mama é obtido, e tratado ainda em fase inicial, as chances de cura chegam a 99%.

Segundo o João Victor Salvajoli, coordenador médico do setor de radioterapia do Hospital do Coração (HCor), por meio do diagnóstico precoce, o tratamento fica mais fácil, o índice de cura aumenta e o risco de sequelas diminui.

No ano 2000, 17,3% dos casos eram diagnosticados nos estágios iniciais, e, em 2015, o percentual subiu para 27,6%.

Apesar desses avanços, infelizmente o cenário ainda apresenta desigualdades.

Enquanto no Sul e no Sudeste diagnosticam cerca de 30% dos casos em estágio inicial, no Nordeste, somente 12,7% dos casos eram descobertos precocemente. 

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