Os podcasts vieram para ficar e estão se tornando um dos principais meio de produção de conteúdo atualmente. E a finalidade desse tipo de mídia vai muito além do que imaginamos, o podcast pode e deve ser considerado como um meio de inclusão quando falamos nos deficientes visuais. 

Para Fernando Scalabrini, do podcast Papo Acessível, esse formato é totalmente acessível, multiplataforma e está apenas a um clique de distância. 

“Aliado a facilidade, temos a diversidade de assuntos e gêneros para todos os gostos, fazendo com que a gente se sinta incluídos como qualquer outra pessoa”, complementa Fernando que é deficiente visual.

Importância dos podcasts para os deficientes visuais

Fernando explica que, sem querer, da mesma forma que o rádio, o podcast não foi desenvolvido pensando exatamente nos deficientes visuais, no entanto, ele é perfeito, pois oferece a oportunidade de entretenimento e de absorver as mesmas informações que as pessoas que enxergam no quesito igualdade. 

“Além disso, por serem sob demanda e multiplataforma, facilitam ainda mais o seu consumo. Salvo as múltiplas deficiências e, obviamente, a deficiência auditiva severa, eu diria que o áudio para a ‘cegolândia’, como eu brinco, é a principal forma de ver o mundo e de se sentir parte dele”, ressalta Fernando.

História do podcast Papo Acessível

O podcast Papo Acessível nasceu em 2012, quando Fernando já ouvia podcasts há pelo menos uns quatro anos. Ele conta que se interessou por essa mídia por gostar de tecnologia e por ser uma ótima fonte de entretenimento e informação, além de ser acessível, já que havia se tornado deficiente visual há pouco tempo. 

“Nas minhas pesquisas, no Brasil, não encontrei um podcast que fosse produzido por deficientes visuais, tão pouco um que falasse com esse público. Estudei um pouco, pesquisei, e descobri que eu poderia fazer um programa de forma totalmente independente, da produção a publicação, passando inclusive pela edição.  Por volta de julho de 2012, o primeiro Papo Acessível foi ao ar, sendo o pioneiro no Brasil nesse segmento e com o intuito de promover a verdadeira inclusão, feito para todos, falando para todos”.

É possível uma pessoa com deficiência visual produzir o seu próprio podcast? 

Fernando afirma que sim e ainda ensina como. Atualmente há diversas plataformas de publicação de podcasts que são acessíveis, além de programas para editar o áudio com ajuda de um leitor de telas.

podcasts como meio de inclusão

“Basicamente, com um smartphone na mão e uma ideia na cabeça, você já tem o necessário para começar. Porém, no Brasil, infelizmente, são poucas as iniciativas de podcasts produzidas por deficientes visuais. Com isso a identificação, a representatividade e a conexão com essa mídia ainda é baixa e precisa ser mais divulgada, principalmente nesse segmento e, quando isso acontece,  um mundo novo se abre”, finaliza Scalabrini.

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