Travesti, transexual, cisgênero, dragqueen, agênero, crossdresser, binário, não binário, transgêneros… Nos últimos anos, as ciências biológicas e sociais começaram a estudar com mais profundidade questões relacionadas à identidade de gênero. Os rótulos “homem” ou “mulher” não são mais suficientes para denominar quem somos – e isso é maravilhoso. Nossa existência começa a ser questionada publicamente por um único motivo: vivermos nossa verdade e sermos felizes de acordo com o que realmente sentimos (e não de acordo com o que nos foi dito). 

Apesar de, cada vez mais, estarmos livres para nos autoconhecermos e vivermos aquilo que mais corresponde com a nossa ideia de felicidade, ainda estamos condenados a limitar nossa identidade à algum nome, rótulo ou embalagem. Todas as nomenclaturas citadas no início deste texto são tentativas das ciências compreenderem o cérebro humano e, sim, precisamos delas nesse momento para que cada indivíduo e a sociedade entenda a infinidade de possibilidades identitárias.

Filmes e séries sobre transgêneros

Estamos no Mês do Orgulho LGBT, mas precisamos nos desconstruir 365 dias por ano para evoluirmos como seres humanos e como grupos sociais. Por isso, preparei uma lista com diversos filmes, séries e documentários para você entender, de uma vez por todas, o que se passa na cabeça de uma pessoa transgênero. Quais são seus sentimentos? Qual é a sua verdade? Quais são suas dificuldades? 

Antes de começar, vale contextualizar. Segundo a GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation – organização não-governamental estadunidense cujo foco é a monitoramento da maneira como a mídia retrata as pessoas LGBT), “transgêneros” é um termo guarda-chuva que abrange todas as pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi designado ao nascer, biologicamente falando.

Então abra a cabeça, o coração e o saco de pipoca e senta o dedo no play!

Maridos em Transição

Ano de lançamento: 2019

Disponível: Não, é transmitido pelo TLC

A série documental do TLC mostra a história de quatro casais que lidam com uma mudança profunda nas suas vidas: o marido assumiu recentemente que se identifica com o gênero feminino e os desafios para continuarem juntos e manterem a família unida são registrados. De casais mais modernos aos mais conservadores, é interessantíssimo ver como uma família se comporta com o tema, quais são os medos das “novas esposas” e como seus filhos, amigos e familiares lidam com a identidade.

Girl

Ano de lançamento: 2019

Disponível no Netflix? Sim

Lara (Victor Polster) é uma jovem menina de quinze anos, seu maior sonho é tornar-se uma bailarina profissional e, com a ajuda do pai, ela busca uma nova escola de dança para desenvolver sua técnica. No entanto, a menina encontra dificuldades para adaptar-se aos movimentos executados nas aulas por conta de sua estrutura óssea e muscular, já que Lara nasceu no corpo de um menino.

Meu nome é Ray

Filmes e Séries sobre Trangêneros: Meu Nome é Ray

Ano de lançamento: 2016

Disponível no Netflix? Sim

Ray (Elle Fanning) nasceu mulher, mas nunca se identificou com o gênero e se prepara para fazer a cirurgia de transgenitalização. Sua mãe, Maggie (Naomi Watts), tenta encontrar a melhor forma de lidar com a questão, mas a avó homossexual de Ray, Dolly (Susan Sarandon), recusa-se a aceitar a resolução e cria um conflito familiar.

Pose

Ano de lançamento: 2018

Disponível no Netflix? Não, é transmitido pela FX

Com o maior elenco de transgêneros da TV, Pose se passa no finalzinho dos anos 1988 e, tal como o documentário Paris Is Burning, segue a comunidade LGBT+ com foco na cultural ball (competições feitas em discotecas, geralmente organizadas por drag queens). Nessas competições, as candidatas caminham pelo salão desfilando looks que precisam ter a ver com o tema escolhido na noite. Entretanto, esse é só o pano de fundo de uma série que explora o início da AIDS, o preconceito com gays nas ruas de Nova Iorque (e até mesmo o preconceito dentro da própria comunidade), o instinto de sobrevivência, diversão e fraternidade e a emoção de ser sua melhor versão em uma época na qual a discriminação reinava.

Homem e Mulher Até Certo Ponto

Ano de lançamento: 1970

Disponível no Netflix? Não

Myron Breckinridge está na mesa de cirurgia fazendo uma operação de mudança de sexo. Ele vai para Hollywood como Myra e pretende tomar posse da propriedade de seu tio, Buck Loner. Tal propriedade é uma escola de atores, na qual Myra, chantageando seu tio, se torna professora. Contudo, além da matéria que lhe é designada, Myra pretende ensinar boas lições a respeito do papel que homens e mulheres devem fazer, tanto no Cinema como na sociedade.

Crescendo como Coy

Ano de lançamento: 2016

Disponível no Netflix? Sim

O documentário gira em torno de uma jovem família americana que se envolve em uma batalha legal amplamente divulgada em um caso que se tornou referência em processos por direitos civis, quando lutam para que sua filha Coy Mathis, transgênera de seis anos de idade, tenha o direito de usar o banheiro das meninas em sua escola primária, no Colorado. O caso histórico da família Mathis, de 2013, foi o primeiro nos Estados Unidos que obteve decisão favorável para que uma jovem transexual utilize os banheiros que correspondam com a sua identidade de gênero. O filme traz uma pergunta universal que qualquer pai poderia enfrentar: “Até onde você lutaria para que sua criança tenha direitos iguais aos demais?”

Hedwig: Sexo, Rock e Traição

Ano de lançamento: 2001

Disponível no Netflix? Não 

Hansel é um jovem que mora em Berlim Ocidental e que sonha em se tornar uma grande estrela do rock nos Estados Unidos. Até que ele conhece um belo americano que lhe promete amor e liberdade e que pode fazer com que todos os seus sonhos se tornem reais. Mas, para ir para os Estados Unidos juntamente com ele Hansel precisará fazer uma operação de mudança de sexo, pois somente assim com ele poderá se casar. Assim nasce Hedwig, que chega a Kansas no mesmo dia em que o Muro de Berlim é derrubado. Preparando-se para dar início à sua carreira, Hedwig utiliza pesada maquiagem, uma peruca a la Farrah Fawcett e forma sua própria banda, chamada The Angry Inch. Porém, Hedwig logo se apaixona por um garoto de 16 anos chamado Tommy Gnosis  que acaba lhe dando um golpe e roubando suas canções, tornando-se assim a estrela do rock que Hedwig sempre sonhou ser. Recusando-se a ser derrotada, Hedwig começa então a cantar juntamente com sua banda em restaurantes e bares, buscando o reconhecimento por seu trabalho.

Olhe para mim de novo

Ano de lançamento: 2013

Disponível no Netflix? Não

Sylvio Luccio, um transexual que nasceu mulher e agora é homem, está feliz com sua companheira e deseja ter um filho com ela. Nesse documentário brasileiro, ele faz uma viagem pelo Nordeste do Brasil para se reconciliar com um passado cheio de discriminação.

Meninos não choram

Ano de lançamento: 1999

Disponível no Netflix? Sim

Teena Brandon se tornou Brandon Teena e passou a reivindicar uma nova identidade, masculina, em uma cidade rural de Falls City, Nebraska. Brandon inicialmente consegue criar uma imagem masculinizada de si mesma, se apaixonando pela garota com quem sai, Lana, e se tornando amigo de John e Tom. Entretanto, quando a identidade sexual de Brandon vem público, a revelação ativa uma espiral crescente de violência na cidade.

Garota Dinamarquesa

Ano de lançamento: 2016

Disponível no Netflix? Sim

Na Copenhague de 1926, os artistas Einar e Gerda Wegener se casam. Gerda então decide vestir Einar de mulher para pintá-lo. Einar começa a mudar sua aparência, transformando-se em uma mulher, e passa a se chamar de Lili Elbe. Com o apoio, ainda que conturbado, da esposa, um Einar deprimido passa por uma das primeiras cirurgias de mudança de sexo da história para tentar se transformar por completo em Lili e recuperar o gosto pela vida.

Transamérica

Ano de lançamento: 2016

Disponível no Netflix? Sim

Prestes a realizar uma cirurgia para mudança de sexo em Nova York, a travesti Bree descobre que tem um filho adolescente e problemático. Aconselhada pela psicóloga a resolver essa questão antes da operação, Bree vai encontrá-lo em São Francisco.

Laurence anyways

Ano de lançamento: 2016

Disponível no Netflix? Não

Laurence é um professor de inglês com um trabalho estável e uma relação sólida com sua namorada Fred. Porém, não se sente confortável com sua vida e decide confessar seus planos de mudar de sexo.

Tomboy

Ano de lançamento: 2011

Disponível no Netflix? Sim

Laurie, uma menina de 10 anos com dificuldades de socializar, se faz passar por garoto para fazer amizade com as crianças da vizinhança, mas sua crescente conexão com a amiga Lisa acaba gerando uma crise de identidade.

Eu sou Cait

Disponível no Netflix? Não, mas pode ser assistido em https://vimeo.com/iamcait

O doc-reality, transmitido pelo E! mostra a vida íntima de Caitlyn Jenner (Bruce Jenner, antes de sua transição). Vivendo pela primeira vez como a pessoa que sempre quis ser, o doc reality explora como a transição de Caitlyn é observada e como isso afetou seus relacionamentos, oferecendo um olhar que busca compreender melhor os desafios da “nova” vida. 

Kátia 

Ano de lançamento: 2012

Disponível no Netflix? Não, mas DVD que pode ser adquirido pelo katiaofilme@gmail.com

Mais um brasileiro na lista! Kátia Tapety tornou-se a primeira travesti eleita a um cargo político no Brasil – foi vereadora três vezes e vice-prefeita. O filme é resultado de 20 dias de convívio com ela no sertão onde mora – Colônia do Piauí e Oeiras.

Laerte-se

Lançamento: 2017

Disponível no Netflix? Sim

O documentário retrata a trajetória da cartunista e chargista brasileira Laerte, considerada uma das mais proeminentes do gênero no Brasil. Tendo vivido parte de sua vida como homem, ela assumiu sua transexualidade aos 57 e, de lá pra cá, experimenta uma jornada única e pessoal sobre o que é, de fato, ser uma mulher.

A Vida de Jess

Disponível no Netflix? Não, é transmitido pelo TLC

Jazz Jennings, um adolescente do sul da Flórida, foi designado como homem ao nascer. Com 4 anos, Jennings foi diagnosticada com disforia de gênero na infância, tornando-a uma das mais jovens publicamente documentadas a ser identificada como disfórica de gênero. Seus pais, Greg e Jeanette, decidiram apoiar sua identidade feminina de gênero em seu quinto aniversário. Jazz está no centro das atenções desde 2007, quando, aos 6 anos, foi entrevistada por Barbara Walters para discutir sua identidade de gênero. Ela participou de entrevistas de acompanhamento, lançou uma fundação e co-escreveu um livro, também chamado I Am Jazz. Ela também postou vídeos sobre sua vida no YouTube. I Am Jazz foca na família “Jennings” (o sobrenome “Jennings” é um pseudônimo, e qualquer referência à localização exata da família é obscurecida) e sua vida cotidiana. Jazz, que estava prestes a entrar no ensino médio quando a série começou em 2015, luta com a angústia adolescente habitual, além de seus próprios desafios como uma garota transexual. Sua família, que inclui seus três irmãos, pais e avós, também fala sobre suas experiências.

Transparent

Ano de lançamento: 2014

Disponível no Netflix? Não, somente na Amazon Prime Video

Mort tem três filhos já adultos: Ali, Sarah e Josh. Quando ele os reúne para falar do futuro, os três ficam chocados ao descobrir que o assunto não é herança financeira, mas a notícia de que o pai deseja se assumir como transgênero. Todos os relacionamentos, com o mundo, com eles mesmos e um com o outro, irão se modificar à medida que os segredos e as dificuldades vão se desvendando.

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