Ir ao ginecologista e fazer exames preventivos deve estar na rotina de toda mulher. Exames como Papanicolau para auxiliar no diagnóstico de infecções transmissíveis como HPV deve estar incluso no check-up feminino, até mesmo para poder diagnosticar algumas doenças no sexo entre mulheres.

Porém, para as mulheres lésbicas e bissexuais, as consultas com o ginecologista podem não ser nada agradáveis (mesmo sabendo da importância de se prevenir e se cuidar, sobretudo quando falamos de doenças no sexo entre mulheres).

Nos dias atuais, o preconceito relacionado ao mundo LGBTQ+ ainda existe e as mulheres que fazem parte desse grupo são vítimas de preconceito diariamente, também em consultórios médicos. Há um mito de que sexo entre mulheres não pode ser considerado sexo, pois não há penetração como em uma relação heterossexual.

Com essa conclusão completamente errada, a prevenção de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), ou seja, doenças no sexo entre mulheres, é negligenciada. Não há muitas campanhas informativas de como se proteger e faltam métodos preventivos exclusivamente para evitar infecções e doenças no sexo lésbico.

Muitas vezes, é necessário adaptar preservativos que foram feitos para sexo entre homens ou de mulheres com homens. Com pouca informação, algumas mulheres acreditam que não correm riscos de se infectar fazendo sexo desprotegido com outra mulher.

É uma concepção falsa que precisa ser debatida urgentemente. Enquanto novos métodos preventivos ainda não estão disponíveis, pode-se adaptar a camisinha masculina e também, não muito utilizada, usar a camisinha feminina.

Quais são as principais doenças e infecções transmissíveis no sexo entre mulheres?

As infecções e doenças no sexo lésbico também são transmitidas quando não há proteção, ao contrário do que muita gente imagina. A transmissão acontece quando mucosas entram em contato com sangue, pele, secreções ou a própria mucosa genital que estão contaminadas por vírus, bactérias ou fungos.

Há outras formas de transmissão além de relações sexuais. Em algumas infecções, como HIV, a transmissão também pode acontecer se houver compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas.

Atualmente, a nomenclatura de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) mudou para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A mudança ocorreu porque não são observados sintomas em todos os casos.  Já doenças podem apresentar sintomas. Por isso, o termo infecções é o mais indicado, embora ainda não seja popularmente conhecido.

Veja abaixo 7 das principais infecções ou doenças no sexo entre mulheres, com referência no portal Minha Vida e em outras fontes:

1. Gonorreia

É transmitida por relações sexuais anais, vaginais e orais. Também pode ser transmitida de mãe para filho durante a gestação e na hora do parto. Os sintomas são corrimento e dores durante as relações sexuais.

O tratamento é realizado com antibióticos, pois se trata de uma infecção bacteriana. A orientação é fazer sexo protegida para não contrair a infecção e evitar fazer sexo com a parceira infectada até que ela esteja completamente curada.

2. Clamídia

Tem sintomas parecidos com a gonorreia, como corrimento e dor ao urinar. Em mulheres atinge principalmente o colo do útero. A transmissão ocorre por relações sexuais anais, orais e vaginais.

A transmissão de mãe para filho durante a gravidez também é possível. O tratamento é realizado com antibióticos. As mulheres não devem ter relações sexuais sem proteção para não contrair a clamídia.

3. HPV

O HPV é causado pelo papiloma vírus humano. Ele infecta a parte interna da bexiga e pode causar lesões nos órgãos genitais. As verrugas genitais são benignas, mas o vírus do HPV também pode causar câncer, como no colo do útero.

A infecção pode ser transmitida por contato direto com a pele ou mucosa infectada, por isso, é necessário tomar cuidado mesmo em relações manuais. A transmissão também pode acontecer no parto, de mãe para o filho. A prevenção acontece com preservativos e já está disponível a vacina.

4. Sífilis

A sífilis pode ser transmitida pelo beijo quando há machucados nas mucosas, apesar de existir o risco, é mais raro de acontecer. Relações sexuais desprotegidas, transfusão de sangue e transmissão de mãe para o filho são outras formas de contágio.

Os sintomas da sífilis se iniciam com uma pequena ferida no local de entrada da bactéria. Mais uma vez, é necessário proteção nas relações para não contrair a sífilis.

5. Herpes

Os sintomas do herpes são pequenas bolhas que podem aparecer ao redor dos lábios ou nos órgãos genitais. Essas bolhas causam muita coceira e podem causar feridas ao se romperem.

O herpes é transmitido em todos os tipos de relação com a pessoa contaminada, mesmo quando os sintomas não estão aparentes durante alguns períodos entre as crises. A melhor prevenção é não ter nenhum contato sexual desprotegido com alguém contaminado.

6. HIV

O vírus do HIV pode ser transmitido por relações sexuais desprotegidas, leite materno, transmissão da mãe para o filho durante a gestação, seringas e agulhas contaminadas e transfusão de sangue.

O vírus HIV e a aids não são a mesma coisa. A aids pode se desenvolver quando o sistema imunológico do portador está muito danificado, facilitando infecções de várias doenças, como por exemplo, a tuberculose. Ainda não existe cura para a aids, portanto, é necessário usar proteção em todas as relações sexuais e não compartilhar seringas e agulhas contaminadas.

7. Tricomoníase

É causada por um protozoário e é mais comum entre as mulheres. A transmissão é por contato com secreções de uma pessoa contaminada. Os sintomas são dores e microlesões.

A tricomoníase ataca o colo do útero, a uretra e a vagina no caso das mulheres. Para evitar contrair o protozoário, o sexo seguro continua sendo a melhor opção.

Lembre-se de que algumas infecções podem ser assintomáticas, como a clamídia, por exemplo. Portanto, é necessário sempre realizar exames para detectar as infecções.

Como se proteger de infecções e doenças no sexo entre mulheres?

Conforme já mencionado, é necessário fazer algumas adaptações porque não existem muitas opções, principalmente no sexo oral. Para usar brinquedos sexuais, use uma camisinha masculina no acessório. Se for usar na parceira, use uma camisinha diferente. O mesmo procedimento pode ser usado para penetrações com os dedos, com a camisinha nos dedos.

Se preferir, use uma camisinha feminina dentro da vagina para impedir contato com secreções. Existem, ainda, as luvas cirúrgicas que também podem ser uma opção, porém, nada atrativa.

doencas-sexo-mulher

No caso do sexo oral, há um acessório usado por dentistas chamado dental dam, um pequeno lençol de borracha que pode ser usado como uma barreira, no entanto, é difícil de encontrar.

Outra alternativa é usar uma camisinha masculina ou feminina com o anel recortado para formar um lençol. Há mulheres que usam papel filme, mas não existem estudos que comprovam a eficiência desse método.

Os métodos utilizados para criar uma barreira, como dental dam ou camisinhas recortadas, também são opções para a posição sexual chamada de tesourinha.

Durante a menstruação, o cuidado deve ser redobrado.

Prevenção e proteção para todas!

Ainda não é possível dizer que temos muitos avanços na área de saúde para as mulheres lésbicas e bissexuais. As universidades e os cursos de medicina precisam oferecer um treinamento para que médicos possam oferecer um atendimento melhor para todos os tipos de mulheres com diversas orientações sexuais.

Enquanto ainda não existem muitos recursos, continua sendo preciso procurar orientação médica e fazer todos os exames necessários. Usar métodos preventivos para evitar infecções transmitidas pelo sexo desprotegido é um cuidado que todas devem ter, sempre.

Sexo entre mulheres é sexo e precisa de prevenção e proteção.

Deixe um comentário

Skip to content