Em 29 de agosto de 1996 aconteceu o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (antigo Senale, hoje Senalesbi) em que se jogou luz sobre o universo lésbico, debatendo temas como invisibilidade, violência, avanços e conquistas da comunidade.

A data ficou marcada no calendário brasileiro como o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, estendendo as ações a favor desse público durante todo o mês de agosto.

Segundo Maira Reis, lésbica, jornalista LGBT+, palestrante e fundadora de Camaleao.co, o dia é uma grande oportunidade de pararmos e olharmos para as demandas e conquistas atuais das lésbicas no Brasil. 

Desafios e preconceitos enfrentados pelas lésbicas

Os desafios que a comunidade lésbica enfrenta não são poucos. De acordo com o Dossiê sobre lesbocídio no Brasil, houve um aumento de 237% no número de casos de mortes de lésbicas de 2014 para 2017 e de 80% em relação ao mesmo período de 2016.

Segundo informações do Dossiê,  foi o maior número de casos registrados em toda a história das pesquisas lesbocídios no país, além de ter sido o maior número de casos de suicídios registrados em toda a história das pesquisas lesbocídios no Brasil, 19 casos só em 2017, representando 32% dos suicídios de toda a comunidade LGBT+ no país, no ano.

Dia da Visibilidade Lésbica

Para a Maira o machismo, assédio, violência, misoginia e o preconceito são alguns dos principais desafios e tudo isso caminha para violência oral, de palavras e frases, como para a física.

“Também tem a questão que muitos homens, na maioria das vezes heterossexuais, veem um relacionamento lésbico voltado ao seu fetiche. E isso é super invasivo, constrangedor e violento, pois você está vendo mulheres pelos seus corpos que dão prazer para aquela pessoa e só, nada além de disso.

E lésbicas, antes de tudo, são pessoas com seus sonhos, desejos, vivências e prazeres, que não tem nada a ver com dar ao “macho alfa” um momento de diversão”, complementa a jornalista.

Dia da Visibilidade Lésbica: diga não ao preconceito

Para combater a discriminação e o preconceito, Maira informa que, primeiramente, é preciso entender que ser lésbica não diferencia em nada de um casal heterossexual.

A jornalista ainda reforça a importância de, no Dia da Visibilidade Lésbica, compartilhar conteúdo de mulheres lésbicas que estão espalhando pela internet informações relevantes sobre as suas existências. 

Dia da Visibilidade Lésbica
Dia da Visibilidade Lésbica

“Além disso, se os heterossexuais acreditam que suas namoradas merecem ser respeitadas ao andarem na rua sem sofrerem assédio por outro homem, nós, lésbicas, buscamos isso diariamente também.

Não é preciso aceitar como eu vivo a minha vida com a minha namorada, porém é obrigação de todos como pessoas que vivem em sociedade nos respeitar assim como nós respeitamos, independentemente com quem você vai ou não para cama. Depois vale se permitir conhecer mulheres lésbicas para ver que a nossa vivência é igual a de qualquer pessoa”.

Maira também reitera a importância de existir políticas públicas não só para as lésbicas, mas também para mulheres negras, com deficiência, mulheres imigrantes entre outras. “O papel do governo deveria ser de nos ajudar a educar a sociedade para o respeito rompendo assim os seus preconceitos”. 

Além de jornalista e palestrante, Maira é fundadora da Camaleao.co, iniciativa que conecta a comunidade LGBT+ com as oportunidades de emprego das empresas. Para cadastrar o currículo gratuitamente basta acessar: http://camaleao.co/curriculo.

Deixe um comentário

Skip to content