Depressão – entenda a causa, sintomas, os tipos de depressão, como identificar e como buscar ajuda (ou como ajudar alguém que esteja passando por isso!)

Há quem diga que é “frescura”. Coisa de “gente doida”. Aquela “doença de rico”. 

Há quem diga que é coisa da nova geração, que antigamente ninguém falava sobre doenças mentais, pois isso simplesmente não existia.

Há quem diga, ainda… que nem doença é. 

Mas, a verdade é que a depressão não é só (comprovadamente) uma doença, como também afeta mais de 322 milhões de pessoas no mundo todo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Só no Brasil, somos mais de 11,5 milhões de pessoas diagnosticadas com depressão.

Embora, atualmente, o tema seja cada vez mais discutido e desconstruído, é comum que algumas pessoas ainda tenham dificuldade em chamar a depressão de doença, principalmente por não termos evidências físicas ou exames que ajudem a diagnosticar, além da confusão sobre tristeza ou desânimo passageiro, e depressão, de fato.

Mas, saiba que essa relutância pode trazer consequências graves – seja para quem está sofrendo com a doença e, por ter dificuldades de aceitar e enxergar isso, dificulta o tratamento, ou seja para amigos e familiares que devem ser cruciais na melhora de um paciente. 

Hoje, vamos entender o que é a depressão, quais são suas causas e sintomas, os tipos de tratamento possíveis e como podemos ajudar uma pessoa querida nessas condições. 

Depressão é doença?

Sim. Depressão é uma doença psiquiátrica crônica, responsável pela alteração de humor que normalmente leva à tristeza profunda (nem sempre atrelada à uma razão, específica), baixa estima, culpa, desânimo, desesperança e outros sentimentos negativos. 

Fisicamente, a depressão pode ainda afetar drasticamente o nosso apetite, sono e até metabolismo ou hormônios. 

Por ser uma doença psiquiátrica, a depressão pode facilmente ser confundida com tristeza ou desânimo, passageiro ou patológico, especialmente no início. 

É importante identificar sentimentos negativos gerados por causas específicas (como a morte de um ente querido ou a perda de um emprego) de um quadro de depressão no qual a tristeza está, ou não, associada a algo. 

Geralmente quem sofre depressão pode ficar com o humor constantemente deprimido, além de perder o ânimo para realizar atividades do dia a dia, mesmo as que antes lhe davam prazer. 

O que provoca a depressão? Entenda as principais causas da doença

Depressão é doença

Saber as causas da depressão é essencial para entender porque, afinal, existem tantas pessoas enfrentando essa complicada doença no mundo inteiro.

Isso porque muitos fatores que desencadeiam uma depressão estão associados à vida cotidiana, a qual nos sujeitamos todos os dias e nem sempre damos atenção. Entre estes fatores, estão o estresse, competição constante, sentimento de solidão e falta de afeto ou empatia. 

A depressão também pode ter causa genética, podendo ser provocada por uma disfunção bioquímica no cérebro e, também, desencadeada por situações que funcionam como “gatilho” para a crise como o luto, traumas e consumo de drogas lícitas e ilícitas. 

É seguro dizer que a depressão pode ter diferentes causas, sendo consequência de uma série de fatores sociais, biológicos e psicológicos. Não é nada simples mas, infelizmente, é mais comum do que pensamos – e por isso se torna tão importante entendê-la, identificá-la e procurar o tratamento correto.

Quais são os sintomas de depressão e ansiedade?

Depressão e ansiedade são transtornos diferentes, mas que podem caminhar lado a lado, um desencadeando o outro. 

Nós vivemos no país considerado o mais ansioso e estressado da América Latina, segundo a OMS, uma vez que mais de 10% da nossa população sofre com transtornos de ansiedade.

Apesar de atrelados, depressão e ansiedade possuem causas e sintomas diferentes.

Principais sintomas da depressão:

  • Sentimentos negativos constantes, não necessariamente com uma causa específica
  • Sensação de impotência e imunidade
  • Desânimo para realizar atividades cotidianas (mesmo as mais prazerosas)
  • Isolamento social, afastando mesmo as pessoas queridas
  • Baixa estima
  • Insônia
  • Perda de apetite
  • Alteração de peso
  • Fadiga ou perda de energia constante
  • Pensamentos autodestrutivos

Principais sintomas da ansiedade:

  • Preocupação exagerada, prejudicando o foco e a capacidade de relaxar
  • Paranoia, constante sensação de que tudo irá “dar errado”
  • Medo e insegurança extrema
  • Falta de controle emocional diante de situações de tensão
  • Dependendo do nível, pode desencadear síndrome do pânico

Como identificar o início de uma depressão?

Depressão é doença

É muito comum que, no início, os sinais da depressão passem despercebidos ou não sejam interpretados como alerta.

Para saber quando, e se, nossos sentimentos negativos devem ser olhados com atenção, é importante ter autoconhecimento e tentar identificar os dois sintomas centrais principais: tristeza constante (independente do motivo, aquele sentimento que está ali há dias, sem que você entenda o porquê de estar se sentindo assim) e a perda do interesse por atividades, inclusive as que você gosta de fazer.

Além disso, insônia, dificuldade de concentração, isolamento social e falta de controle emocional – tudo isso de forma constante – também são sinais de perigo. 

Quais são os tipos de depressão?

A depressão pode ser caracterizada em diferentes tipos e quadros de intensidade que vão de leves, moderados até casos graves. 

Conheça abaixo os principais tipos de depressão:

1 – Depressão unipolar (transtorno depressivo maior)

É o tipo de depressão mais conhecido e frequente, com os sintomas e causas similares aos trazidos hoje, neste artigo.

2 – Depressão bipolar

Consiste na alternância de “graus” depressivos, com períodos extremos de irritação, euforia e tristeza, e períodos mais controlados. Não deve ser confundida com transtorno bipolar (uma doença psiquiátrica completamente diferente).

3 – Depressão pós-parto

Acontece nas primeiras semanas depois do parto, sendo bem mais grave que a ansiedade “normal” que muitas mulheres sentem após a gestação. Traz extrema tristeza e sentimento de incapacidade e exaustão para a mãe, tanto com relação a ela mesma, quanto ao bebê.

4 – Depressão induzida por substância ou medicamento

Associada à ingestão de substâncias, como drogas, toxinas e até medicamentos. 

Tratamentos para depressão

A depressão é uma doença e deve ser tratada como tal, realizando o tratamento adequado para que possa ser controlada. 

É comum que quem esteja passando por esse transtorno resista em procurar ajuda e tente “resolver” as coisas sozinho – o que, na verdade, pode só piorar o seu quadro.

É importante que a pessoa consulte um profissional especializado e siga as orientações passadas. Quadros leves podem ser resolvidos apenas com tratamento psicológico, enquanto outros casos moderados e graves podem envolver o uso de medicamentos, como antidepressivos. 

O mais importante é que, independente do tipo de tratamento, a pessoa mantenha o ritmo e a frequência pelo tempo determinado pelo profissional ainda que, momentaneamente, possa se sentir melhor antes do período de tratamento terminar. 

Adotar um hábito de vida mais saudável também ajuda, incluindo atividades físicas regulares e uma alimentação equilibrada, longe de álcool e tabagismo. Isso, claro, se a pessoa estiver com ânimo e condições para isso – é importante respeitar o seu tempo e não se cobrar diante da doença, procurando melhorar gradativamente com ajuda profissional.

Como ajudar amigos e familiares que sofrem com depressão? 

Se você, por acaso, não enfrenta o mal da depressão, mas conhece pessoas queridas que sim, esta é uma pergunta que muito provavelmente já fez a si mesmo. 

É extremamente complicado e delicado ajudar uma pessoa com depressão, especialmente quando ela mesma tem dificuldade de se ajudar e ainda repele aqueles que ama, mesmo de forma não intencional. 

Algumas atitudes podem ser úteis para ajudar quem enfrenta este transtorno:

  1. Mantenha-se informado sobre a doença, suas características e riscos
  2. Seja um ponto de segurança para aquela pessoa – ainda que ela não queira ou se afaste, é importante que ela saiba que você está lá para quando ela quiser ou precisar
  3. Incentive a prática de atividades prazerosas
  4. Fique atento aos sinais que aquela pessoa lhe dá, para entender os momentos de ficar em silêncio e os momentos de se aproximar. Cada pessoa reage de um jeito e você, como alguém próximo, deve procurar entender isso
  5. Encontrar serviços de apoio pode ajudar a entender melhor e conversar sobre o assunto

Concluindo…

Depressão é uma doença como qualquer outra. 

Não é frescura. Não é preguiça. Não é coisa de gente maluca. É uma doença muito mais comum do que gostaríamos e justamente por isso deve ser levada com seriedade.

Se você se identificou com as informações trazidas neste artigo, procure ajuda. Você não precisa enfrentar nada sozinho e, com o apoio e tratamento certo, é possível colocar a vida nos eixos, e esse quadro será apenas passageiro.

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