Você realmente precisa de tudo o que possui? Já parou para pensar em quantas coisas tem na sua casa que você tenha usado pouquíssimas vezes ou até mesmo nunca utilizado? Já fez uma reflexão sobre o consumo consciente, pensando em quanto determinados produtos impactam no meio ambiente e, por consequência, na sobrevivência do planeta?

Para Arthur Igreja, professor da FGV, especialista em inovação e membro do Conselho da Fundação Grupo O Boticário de Proteção à Natureza. Um dos principais pontos para tomar consciência do quanto o consumismo exacerbado é prejudicial tanto para si mesmo quanto para o meio ambiente é estabelecer uma relação de causa e efeito e qual impacto ambiental que tal produto representa para a tomada de decisão.

“É necessário fazer um questionamento: eu realmente preciso disso? Por exemplo: por quanto tempo um celular seria produtivo? Por volta de quatro a cinco anos. Mas o quanto ele é útil? Dependendo do caso, por um ano! Porque as pessoas têm o desejo de trocá-lo, existe essa necessidade”, diz o professor da FGV.

Qual a importância do consumo consciente? Consumismo X Minimalismo

Segundo Igreja, a tecnologia tem um papel fundamental no aumento do consumismo pela facilidade oferecida. Ao entrar em diversos sites, o consumidor tem acesso a infinitos produtos, com sugestões de itens associados, artigos que pessoas de perfis similares compraram, o que acaba gerando muitas aquisições por impulso.

Além do enorme desperdício de embalagens e de matérias-primas nobres que ficarão empatadas nos armários das pessoas. Para o professor, o impacto disso é extremamente preocupante, já que a distância entre imaginar uma coisa e materializá-la é cada vez menor.

“Ainda estamos em um modelo linear de economia que pressupõe a extração, transformação e dejeto. Claro que as indústrias tentam minimizar o uso de materiais por meio de eficiência e, no final, tentamos reciclar. Já tem uma discussão pesada sobre economia circular, que é a tentativa de fazer essas matérias-primas tão raras ficarem em um looping de aproveitamento.

Porém, o uso linear de insumos gera dejetos, mesmo que, gradativamente, em uma proporção menor. E, na hora que se observa o impacto, como, por exemplo, o verdadeiro país de lixo que está no Oceano Pacífico, percebe-se o quanto tem coisas assustadoras acontecendo do ponto de vista de impacto ambiental”.

Mas, ao mesmo passo que o consumismo aumenta, também existe um movimento contrário. De acordo com o professor, no Japão, a onda do minimalismo já vem fazendo sucesso, mostrando que há uma parcela da população preocupada com o consumo consciente como caminho mais adequado.

“O minimalismo vai na onda da autora japonesa Marie Kondo, a qual fala que devemos nos cercar de objetos que trazem felicidade genuína. Todo o resto é estorvo, ocupa espaço, gasta-se dinheiro. Acabamos trabalhando para comprar coisas que não precisamos”, alerta Igreja.

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Livro sobre organização e minimalismo da autora Marie Kondo

Um passo positivo para um consumo consciente

O estudo Smart Cities, realizado recentemente pela Hello Research em parceria com a Tupinambá, primeira startup brasileira de mobilidade elétrica e rede de eletroabastecimento (ECV), mostrou que a maior parte da população brasileira está familiarizada com o tema sustentabilidade e acha que os esforços para uma vida sustentável, tal como o consumo consciente, devem vir das iniciativas pública e privada. 

A maioria dos entrevistados, 88%, disseram conhecer ou já ter ouvido falar em desenvolvimento sustentável. Em 2014 eram apenas 43%. Ainda assim, ao serem perguntados sobre a definição do tema, 26% disseram que é viver sem destruir o meio ambiente, viver com consciência e preservando a qualidade do meio ambiente, mas 28% não souberam explicar ou só ouviram falar.

Para a população, a responsabilidade pela sustentabilidade é equiparada entre empresas e governo. Para 94%, é muito importante que grandes empresas promovam a sustentabilidade, e, para o mesmo número, o governo deve estimular medidas sustentáveis de empresas e pessoas.

Um alerta para as empresas: o perfil e comportamento do consumidor consciente

O mesmo estudo revelou que não ser responsável com o meio ambiente pode custar caro às empresas, analisando o comportamento do consumidor consciente – 70% dos entrevistados afirmaram que deixam de consumir uma marca se descobrem que a empresa faz mal ao ambiente ou aos animais.

Pessoas acima de 45 anos se sobressaem nesse sentido – 80% declararam concordar totalmente com a frase, seguidos por adultos entre 35 e 44 anos (74%), adultos de 25 a 34 anos (68%), enquanto entre os jovens de 16 a 24 anos, 63% deixariam de consumir uma marca ou produto se faz mal ao meio ambiente. Na análise por região, o Nordeste é o que mais se preocupa com a procedência sustentável (62%), enquanto o Sul é o que menos se preocupa (46%).

E você? O que faz para promover um consumo consciente? Lembre-se: o que vale são os momentos vividos e não coisas! Repense, reduza, reuse, recicle e reverbere o consumo sustentável.

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