A história do plástico começa em 1860 com a criação da parkesine, uma resina desenvolvida pelo metalúrgico Alexander Parkes. O feito foi tão notável que em pouco tempo cientistas interessados no tema estavam espalhados pelos principais centros de pesquisa promovendo uma evolução sem precedentes nos estudos de química orgânica.

Menos de um século depois, a indústria de polímeros era um dos setores que mais cresciam e catalogava feitos de empresários inovadores e promissores nos negócios.

Para se ter uma ideia, o plástico foi uma criação tão revolucionária que em 1963 Karl Ziegler e Giolio Natta ganharam o Prêmio Nobel de Química por suas importantes contribuições sobre reações de polimerização. Os processos industriais revolucionários decorrentes dessas pesquisas foram considerados altamente úteis para a humanidade.

Atualmente muito devemos aos polímeros plásticos. O setor têxtil, a indústria de alimentos, os produtos de informática, os meios de transporte, a construção civil e a saúde pública foram incontestavelmente beneficiadas com essa criação.

Versáteis, com baixo custo e alta estabilidade diante dos processos naturais de degradação, o plástico se tornou indispensável em nossas vidas.

Todo esse progresso frenético nos levou à criação de um experimento espantosamente singular com repercussão em escala global.

O plástico em números

Hoje, mais de 6,5 bilhões de toneladas de plástico já viraram lixo e estão espalhadas pelo planeta. O tempo de decomposição mínimo do plástico é de 100 anos (dependendo da resina, estima-se chegar a 600 anos), portanto, o plástico que minha avó descartou quando criança não raro atormenta meus pesadelos distópicos sobre o futuro!

Estima-se que 8,9 bilhões de toneladas de plástico já haviam sido produzidas até 2017 quando o artigo “Production, use, and fate of all plastics ever made” foi publicado na revista Science Advances.

Os produtos plásticos de uso único são considerados os principais vilões da atualidade por serem descartados imediatamente após sua utilização. Mesmo sabendo disso, entre 35% e 40% da produção atual é composta por esse tipo de material (Fapesp Pesquisa, edição 281, julho 2019), comercializado na forma de copos, sacolas, canudos, embalagens e talheres descartáveis.

Viver com menos plástico é possível?

Não sem motivo, se você também adora propor um desafio pessoal para cada ano vindouro, que tal (enquanto cientistas se desdobram para descobrir novos materiais menos poluentes) se comprometer a reduzir o plástico que vai pro lixo em 2020 com 4 atitudes?

Não presenteie as crianças com brinquedos de plástico

No primeiro ano do ensino fundamental, o excesso de brinquedos plásticos e o estímulo excessivo ao consumo ao qual meu filho vinha sendo exposto me incomodavam demais, por isso foi com alívio que descobri que esse desconforto também era compartilhado pelas famílias dos colegas da classe.

Na oportunidade tomamos uma decisão: as crianças da sala não dariam ou receberiam presentes nos aniversários da maneira tradicional.

Claro que na hora que a ideia surgiu nem todos se empolgaram. Entretanto, marcamos um encontro para produzirmos coletivamente o presente que seria entregue no dia do aniversário de cada um dos alunos. 30 presentes iguais, manualmente confeccionados.

O primeiro efeito colateral foi que rapidamente as famílias se tornaram mais unidas (tínhamos um propósito coletivo). A professora foi super-receptiva e para o dia do aniversário pensou em como tornar a entrega do presente um momento especial. O aniversário se tornou um pequeno rito de passagem com uma homenagem coletiva que reforçou muito nosso senso de comunidade.

Quando minha filha (no ano seguinte) entrou no primeiro ano, a sala dela também aderiu ao movimento que hoje é bem vivo na escola toda.

De lá para cá produzimos livro de jogos de tabuleiro feito em feltro, com peças de pedras e sementes coletadas pelas próprias crianças, um tabuleiro de mancala (um dos jogos mais antigos da humanidade), um terrário de suculentas que ainda hoje enfeita minha cozinha, entre outros mimos que deixaram uma rica memória afetiva da passagem pelo ensino fundamental.

Crianças precisam muito pouco de brinquedos, o que elas realmente precisam é de tempo, espaço saudável e companhia para suas brincadeiras. Presentear com apreço (ao invés de preço) tem força suficiente para tornar qualquer data festiva única e inesquecível!

Compre água engarrafada somente em situações extremas

Desde que comecei a sair com uma garrafa na bolsa passei a enchê-la sempre que encontro um bebedouro. Já entrei em diversos estabelecimentos para pedir água sem maiores constrangimentos e surpreendi positivamente diversas pessoas ao explicar que não compro água engarrafada.

Descobri muito recentemente (não é um hábito na minha cidade) que posso pedir a água da casa nos restaurantes para ter a água filtrada no copo à água mineral na garrafa.

Uma constatação que para mim foi surpreendente: por ter sempre água na bolsa, bebo muito mais água desde que incorporei esse novo hábito!

Recuse os produtos plásticos de uso único

Outra coisa que aconteceu na escola dos meus filhos (é assim, filho ensina a gente o tempo todo, de todas as formas): a comunidade aboliu os descartáveis nas festas.

Confesso, quando esse movimento começou fui bem cética.

Em todas as festas, quer sejam as pequenas confraternizações de sala ou nas festas do calendário anual que reúnem os 370 alunos e suas famílias, todo mundo leva seu kit-festa contendo caneca, prato, garfo, faca e colher.

Hoje estamos tão habituados que as festas de aniversário naturalmente seguem a mesma lógica. Amamos. Quando nos responsabilizamos pelos próprios utensílios, geramos uma operação muito mais simples para quem recepciona.

Aprendemos muito sobre cooperação e empatia com esse movimento!

Inspire outras pessoas

Experimente, descubra e teste novas rotinas. Incentive o maior número de pessoas a experimentar mudanças de impacto positivo sobre o mundo (e sobre si).

Ninguém precisa assumir a responsabilidade por salvar o planeta, mas cada um pode fazer sempre um pouco mais para fazer desse um lugar melhor.

Encontrando um sentido para a aquisição de novos hábitos, essa caminhada se torna realmente leve e prazerosa.

Surpreenda-se!

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